segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Mito da caverna

Conhecemos bem os elementos do ''Mito daCaverna'' de Platão (Livro VII de A República: a caverna, os prisioneiros acorrentados, a fogueira acesa do lado exterior , a libertação de um deles, a sua esonteada passagem da obscuridade para a luz (das sombras das coisas ás próprias coisas), com que Platão representa a transição ascencional do conhecimento sensível ao inteligível, da dóxa á episteme, da aparência á essência. Nessa passagem da dóxa á episteme, das imagens das coisas ás idéias, resguardada pelo símile do Sol Visionário como o Bem, este tornando visível aos olhos do espírito as essencias imutáveis e arquetípicas ---- assim como o astro luminoso descobre, para os olhos do corpo, aaparênia sensível das coisas ----, teríamos a metáfora da paidéia, da formação (Bildung) da alma humana. Mas só estas correspondências jamais esgotariam a riqueza do Mito da Caverna . Enquanto a interpretação ordinária sempre se apegou aos termos inicial e final da caminhada do prisioneiro, Martin Heidegger foi provavelmente o primeiro filósofo ocidental moderno a deslocar a importância primeira do mito ao esforço que acompanha a passagem efetuada tanto na transição do meio obscuro ao luminoso, quanto inversamente na transição do meio luminoso ao obscuro, quando o prisioneiro libertado (já habituado á claridade exterior ácaverna) volta para o interior da caverna para contar aos outros o que viu lá fora. Numa direção ou noutra, seja a do prisioneiro que se liberta, seja a do liberto que volta para a caverna-prisão, a fim de tentar convencer os seus ex-companheiros de que continuam presos, há sempre um consistente e dirigido esforço, seja para suportar o brilho da luz ou para de novo habituar-se ás sombras da caverna com os prisioneiros, e sempre, tanto num caso como no outro, o esforço é dirigido no sentido de ajustar as imagens distinguidas, dentro e fora, ás idéias com as quais deve concordar.

Considerando isto tudo, o subtexto que Heidegger consegue vislumbrar nas entrelinhas do mito da caverna, envolvem mais os dois acontecimentos interligados (saída da caverna e retorno para contar aos outros): um relativo á essência humana , concebida segundo uma idéia de formação da alma (paidéia), que liga o homem ao mundo superior da intuição intelectual direta (dos arquétipos) e não reflexiva, na medida em que estas se ''imprimem'' na sua alma e a modelam (bilden) - e outro relativo á ''essência da verdade'' , circunscrita pela visibilidade, pelo modo como as coisas se evidenciam , segundo um foco que as mostram sob determinada forma (idéia, eidos), numa transmutação da verdade como''desvelamento'' para a da verdade como concordância (omoíosis). Existe também outro aspecto mais oculto desta tradição filosófica e estética. A transmigração das almas, comum á distintas concepções culturais, ou a viagem da alma transmitida por Platão no livro X da República (Rohde: 1973, cap. I a VII) são noções inerentes á esta corrente, expandida pelos poetas. É este um aspecto do poetizar que excede o estético para avizinhar-se ao que Dodds (1960) denomina cultura xamanísta. O êxtasis e a omóiosis ou saída da alma do corpo, experiências descritas e promovidas pelos textos órficos e sua descendência (Lacarrière, 1989; Herrán, 1967) se acham no germen da exaltação do poeta como ser que tem parte na Divindade, consignação que reformularam os poetas românticos.
 
Platão parte, sem dúvida, da alethéia, pois para os gregos ''na origem, a ocultação, o fato de ''velar-se'' domina inteiramente a essência do ser... Confirma-o a própria ''caverna'' do mito, fechada apenas por um dos seus lados, dando passagem pelo outro á luz velada de uma fogueira acesa no exterior. Mas a função da luz, primeiro como fogo, e depois como sol, se torna preponderante. Não se inventa um dogma, mas se vela uma verdade e se produz uma sombra em favor dos olhos débeis. O iniciador não é um impostor, é um revelador, ou seja, segundo a expressão da palavra latina 'revelare'', um homem que VELA DE NOVO; É um criador de uma nova sombra. (Eliphas Levi "Dogma y Ritual de Alta Magia")) . DEVELAR é retirar o ´veu; REVELAR é voltar á colocá-lo. Nos textos sagrados da tradição semítica se enfatizou e reiterou exaustivamente que se trata de REVELAÇÃO, encriptação sobre incriptação, hieróglifo sobre hieróglifo, e que toda revelación implica imprescindiblemente una interpretación.
''a ídeia é o que tem o poder de brilhar. A essência da idéia consiste no brilho e na visibilidade. É isso que realiza a ''presença'', quer dizer, ''a essência daqulo que um ente é'' .
Para Heidegger, na linguagem de-mora o ser. O Sendo só pode se re-velar através da linguagem, se o pensamos ele ‘é’, pois o pensar aproxima o ser da Clareira (onde sua pre-sença contrapõe-se ao ente). A imagem de uma floresta assemelha-se à existência humana, vários são os caminhos possíveis para se chegar a uma Clareira.

A contemporaneidade enxerga a tudo com os olhos da técnica, o efeito conta mais que o sentido, há uma primazia da razão sobre o ser, que aliena o homem de seu sentido, "esta relação (o pertencer originário da palavra ao ser) permanece oculta sob o domínio da subjetividade que se apresenta como opinião pública" (Idem, Sobre o "Humanismo", 1973:349). A sociedade domina o significado possível de um termo e conduz seu uso a um fim específico, destruindo, assim, a essencialidade ontológica da língua. Os gregos nem ‘filosofia’ usavam para designar o pensar, a dimensão do agir ultrapassa as concepções de um tempo sobre si mesmo, as palavras quando perdem seu poder de ser, tornam-se técnicas, correspondem ao instituído (dicionários, gramáticas), não trazem mais ao homem a alteridade instauradora do real.

A consciência advém do fato da língua permitir identificar o ser como ente ‘ec-sistente’ (ser revelado) e dependente da linguagem. Mas o que entendemos como linguagem não nos leva ao ser, no máximo indica-nos o Caminho da Clareira. "A libertação da linguagem dos grilhões da Gramática e a abertura de um espaço essencial mais originário está reservado como tarefa para o poetizar"(Ibid., 1973:347), nossa relação com a linguagem deve ultra-subjetivar-se (ir além do sujeito), nada deve comandar a linguagem, pois na Clareira impera o inefável, ante o qual nossa língua e nossa identidade nada são.

 Lao Tse (570 a.C.), que segundo reza a tradição, foi um dos iniciadores do Taoismo, nos legou o "Tao Te King" quando aos 80 anos tentava sair da China e ao ser reconhecido pela guarda da fronteira foi intimado a escrever, pois até então se recusara a escrever sobre o Tao. Suas reflexões sobre o Tao, assim como o pensamento de Heidegger, inspiram ao ser o Caminho do re-encontro com si mesmo. O sentido do Tao é a escuta do apelo do ser, o Tao é tão inatingível quanto o Logos e como ele impera.

"O Tao é como um sonho cintilante. Sumindo, piscando, ele personifica formas e coisas. Parece recuar para longe e turvar-se. Contudo, há em seu âmago uma essência luminosa inconfundível" (Tao Te King, 21).

Fundamental o contato de Heidegger com o pensamento de Heráclito sobre o Logos, que é "o recolhimento que torna presente e manifesto tudo que é em sua totalidade enquanto ente. Logos é o nome que Heráclito dá ao Supra-sensível ou extra-sensorial" (HEIDEGGER, Hegel e os Gregos, 1973:408). Tao é um dos nomes que nomeia o Logos no Oriente. O Tao é um Caminho que nos leva de volta sem sair, um espanto demorado que se renova, um movimento que precisa do crescimento e não do deslocamento e um crescimento que precisa de si mesmo.

Quando fala do Caminho do Campo, Heidegger parece falar do Logos. "Do Logos com que sempre lidam se afastam, e por isso as coisas que encontram lhes parecem estranhas" (Idem, §72). Nossa noção de tempo se confunde com a de espaço, o percurso do caminho não pode ser medido ou calculado; a própria representação que damos ao espaço se curva na totalidade de um círculo, só o espaço enquanto ente tem fim: "Princípio e fim se reúnem na circunferência do círculo" (Idem, §103). A reversidade do Caminho "assemelha-se ao tensionar do arco. O que está alto é trazido para baixo, e o baixo, puxado para cima. O comprimento é diminuído, e a largura, expandida" (Tao Te King, 77). Chega a ser possível imaginar um diálogo entre Lao Tse e Heráclito, que por sinal eram contemporâneos, mas o que esta proximidade nos diz?

"Pensando, de quando em vez, com os mesmos textos ou, em tentativas próprias, o pensamento, sempre de novo, anda na via que o Caminho do Campo traça pela campina.(…) O Caminho acolhe tudo que vigora à sua volta e restitui o seu a todos que o percorrem. Os mesmos campos e as mesmas encostas dos prados escoltam o Caminho do Campo em cada estação do ano, mas com uma proximidade sempre nova." (HEIDEGGER, O Caminho do Campo, s/d:46-7)


Post Scriptum

As pessoas gostam do misterioso. O estudo da esfera do espírito poderia coloca-las diante de muitas portas fechadas. Porque então as pessoas evitam tudo que lhes é desconhecido? Porque nas escolas lhes foi dito: ''PROCEDEI COMO TODOS!''.
Dirigi o espírito ao desconhecido! Tal aspiração poduz novas formas de pensamento.

O Ensinamento pressupõe não somente uma consciência aberta, mas tbm o desejo de se dedicar, degrau por degrau á sua aplicação. É impossível pensar que uma mente distraída possa por convencioalidades possa aceitar o Ensinamento. As pessoas estranhas ao Espírito não percebem a utilidade do Livro. Estas pessoas não são necessárias, mesmo quando curiosas.

Elas dirão: ''Como utilizar estas sementes espalhadas?'' Elas não podem nem mesmo admitir que, além de seu prórpio sistema, possa existir ainda outro. O ''cálculo energético'' do trabalho tem seu método, , mas o pensamento depende até mesmo das condições externas da vida.


Notas...


 
San Ambrosio sobre I Corintios 12:3, citado en Summa Theologica I-II.109.1.
Nótese que «a quocumque dicatur» contradice la pretensión de que sólo es «revelada» la verdad Cristiana.


 Para el pasaje sobre la inspiración, ver Ion(
 La doctrina Platónica sobre la inspiración no es «mecánica» sino «dinámica»; en una teología posterior, devino una cuestión de debate en cual de estas dos maneras el Espíritu mueve al intérprete.


Ion... gignomai se usa aquí en el sentido radical de «entrar en un nuevo estado de ser». Cf. Fedro, kalo genesthai tandothen, es decir, 14. Ion; y Maitri Upanishad VI.34.7, «

 (hen ainigmati, I Corintios 13:12). Devido a que a descoberta (gnose) é de uma Verdade que não se pode ver diretamente pelos demais (sánscrito, sakshat ) (con las faculdades humanas), el decidor de la verdad debe hablar en símbolos (sejam verbais ou visuais), que são reflexos da Verdade; é nossa tarefa compreender e usar os símbolos como suportes de contemplação e com vistas a uma ‘’recordação’’ toda especial de uma outra velocidade de conscientização.
 
 
 


Post Scriptum


(...)


Neste estado, que tbm se designa ás vezes sob o nome de samprasâda ‘’outra velocidade’’ no vedantismo e terceira atenção na escola nagualista por Castaneda (Brihad-Âranyaka Upanishad, 4º Adhyâya, 3er Brâhmana, shruti 15; también Brahma-Sûtras, 1er Adhyâya, 3er Pâda, sûtra 8. — Ver también lo que diremos más adelante sobre la significación de la palabra Nirvâna e a simbologia dos olhos de Soma do conhecedor do campo no Rg Veda Samhita.), a luz inteligível é apreendida diretamente, o que constitui a intuição intelectual (Buddhi) e já não por simples reflexão através da mente (‘’manas’’) como nos estados individuais.



Post scriptum



O autor que escreve sob o ditado da inspiração divina concebe ás vezes coisas que não têm relação com a matéria daquele capítulo que está tratando e que aos ouvidos do leitor(a) pode soar como interposição de tema incoerente, ainda que para quem escreve aquilo pertença em última instancia á essência mesma do que foi feito, apenas que sob um aspecto hieroglífico que os demais ignoram.  Sabe que a elaboração dos capítulos das Fotûhât não é o resultado de uma livre eleição por minha parte nem de uma deliberação reflexiva. Na verdade, Deus vem me ditando pela visão espiritual tudo que tenho escrito, e é por isto que entre duas ideias insiro outra que não tem nenhuma conexão com a que lhe precede nem com a que lhe segue.




Ibn ‘Arabî, Las revelaciones de la Meca

(...)

Post Scriptum
 


Schneider recolhe um profundíssimo tema simbólico, ao dizer que ‘’fazer poesias equívocas e saltar entre as linhas é matar a distância entre dois elementos lógicos ou espaciais e pôr sob o jugo comum da consciência dois elementos distantes, naturalmente’’, o que explica o sentido místico da ‘’poesia do presente (ou da sensação)’’, em sua rama derivada de Rimbaud e Reverdy, quem diz: ‘’A imagem é uma criação pura do espírito’’. Não pode nascer de uma comparação, e sim da aproximação de duas realidades mais ou menos distantes. Quanto mais distantes sejam as relações das duas realidades aproximadas, mais forte será a imagem, e possuirá mais potência emotiva e realidade poética (Aquí termina la cita de Reverdy).
 


Y continúa Cirlot: "Realidade simbólica, na verdade".

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Quoi ? - L'Eternité.

Elle est retrouvée.
Quoi ? - L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.
 
A.Rimbaud
 
 
A Eternidade é, pois, uma concentração e uma permanência, subsistindo absolutamente em si mesma. Nada lhe falta. Não conhece o decurso temporal, não é medida pelos séculos, nela não se encontra passado ou futuro: tudo lhe é presente de forma indizível. Essa plenitude do ser não é, porém, qualquer coisa de estático ou de fixo: Eternidade é vida, para além de todo a distensão, vida ativa em si mesma, vida por essência.

Esta concepção de Eternidade  tem, nas suas implicações, como é evidente, fundamentos da filosofia grega. Para Platão e Plotino, a Eternidade designava a condição dos seres inteligíveis que haviam se subtraído à mudança. A sua plenitude não poderia excluir a vida e o pensamento, mas traduzia a perfeita identidade consigo mesma e definia-se excluindo a sucessão, o antes e o depois, numa perpetuidade indivisa

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Inquiridor único...

"Um dos Mestres nos diz que toda uma geração de inquiridores pode somente produzir um adepto. Por que deve ser assim? Por duas razões:
"Primeiro: o verdadeiro inquiridor é alguém que aproveita da sabedoria de sua geração, que é o melhor produto de seu próprio período e entretanto que permanece insatisfeito e com a aspiração interior pela sabedoria não acalmada. Intui alguma coisa de importância maior que aquele conhecimento e algo de maior importância do que a experiência acumulada de seu próprio período e tempo. Ele reconhece um passo adiante e procura dá-lo para ganhar algo e acrescentar à cota já ganha por seus semelhantes. Nada o satisfaz até que ele encontre o Caminho e nada apascenta o desejo no centro de seu ser exceto aquilo que se encontra na casa de seu Pai. Ele é o que é porque experimentou todos os caminhos menores e os achou insuficientes e submeteu- se a muitos guias somente para achá-los ‘cegos guiando outros cegos'. Nada lhe é deixado senão tornar-se seu próprio guia e encontrar seu próprio caminho para casa por conta própria.
Segundo: o verdadeiro inquiridor é aquele cuja coragem é daquele raro tipo que capacita seu possuidor a permanecer invariavelmente firme e de cabeça erguida e a soar sua própria nota perfeitamente clara bem no meio do turbilhão do mundo. Ele é alguém que tem seu olho treinado para ver além das névoas e miasmas da terra até aquele centro de paz que preside todos os acontecimentos da terra e aquele ouvido treinado atento que (tendo recolhido um sussurro da Voz do Silêncio) se mantém sintonizado com aquela alta vibração e é assim surdo a todas as desorientadas vozes menores dos falsos iniciados.
Uma situação paradoxal surge do fato de se dizer ao discípulo para inquirir o Caminho e no entanto não haver ninguém para apontá-lo. Assim, somente florescem como adeptos em qualquer geração específica aquelas almas que 'tenham pisado o lagar da fúria de Deus sozinhos'.
0 espiritual também se apresenta na vida psíquica como um instinto, mesmo como uma paixão ou, segundo disse Nietzche, "como um fogo devorador". Não se deriva de qualquer outro instinto, mas é um princípio sui generis, uma forma específica e necessária da força instintiva.
Do jogo entre tensões opostas resulta a liberação de relativos excedentes de energia e o natural estabelecimento de declives por onde se: escoe esta energia livre. Com efeito, a história da humanidade demonstra que já o homem primitivo conseguia dispor de cotas de energia para aplicação utilitária no mundo exterior e para operações transformadoras internas, que se realizavam por intermédio da formação de símbolos religiosos de rituais e de atos mágicos. Não está todavia no poder do homem canalizar os excedentes energéticos para objetos escolhidos racionalmente. . Os esforços mais obstinados não serão suficientes se não existir, na mesma direção, um declive natural favorável à canalização da energia. "A vida somente flui para diante ao longo de declive adequado".
É através de transmutações da energia psíquica, da formação de símbolos novos sucedendo a símbolos caducos, esvaziados da energia que antes os animava, que se processa, na sua essência, o desenvolvimento da psique do homem.

 
Kalki-Maitreya

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

(Busca Intermitente) entre parênteses




« A Busca Intermitente», de Eugéne Ionesco é um livro impressionante e absorvente. Por estranho que pareça, no criador do Teatro do Absurdo, o autoretrato a traço carregado daquele que tem sido um dos dramaturgos modernos mais representados, mais discutidos, mais polémicos e, paradoxalmente, também um dos menos honrados. Quando alguém fala de si mesmo nem sempre fala do seu umbigo mas, como faz Ionesco, do que possa tocar outras pessoas que «trabalham no mesmo comprimento de onda»... A visão tremendista e «pânica» de Ionesco, tantas vezes expressa nas suas peças de teatro como « O Rinoceronte», «A Cantora Careca», «As Cadeiras» é esta «implacável verdade», sempre presente nas suas peças teatrais - sem quimeras, sem ilusões ideológicas, místicas ou religiosas - é esta lucidez radiográfica que faz transparecer neste livro o lado menos teatral e mais íntimo da sua mensagem artística.


O ''Parêntese'' (do grego παρένθεσις, "inserção") é uma doutrina e um método tibetano, budista e sufi, além de ser uma linhagem artística ocidental que William Buttler Yeats refundou e continuaram Proust, Joyce, Kafka, Borges e Cortázar, no contexto do ''feito estético como iminência de uma revelação que não se produz''. Ionesco expõe com claridade magistral esta doutrina do ''Parêntese'' em ''A Busca Intermitente''..pp 22-24, no diário 2, Passim, e em todas as suas peças teatrais. Ela também se ''revela'' na frase do escritor e filósofo argentino Héctor Alvaréz Mureña: ''A vida é um parêntese entre o nascimento e a morte''.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Faz-me rir...

A Wicca é uma religião neopagã de origem celta que alguns chamam de bruxaria ou feitiçaria (en inglês: Witchcraft ou the Craft), ainda que haja também grupos neopagãos que se identificam com isso de brujeria mas não com a Wicca moderna ou wiccanos. Foi popularizada pelo britânico Gerald B. Gardner como uma espécie de renascimento da chamada Antiga Religião, depois de ser ''iniciado'' (faz-me rir) por um''coven'' ou confraria que encontrou na zona de New Forest. - Diversos autores respeitados como Aidan Kelly rebateram durante anos as alegações de Gardner e disseram que os ritos de que ele fala em seu livro foram completamente inventados por ele. Isso também sucedeu com o que hoje as pessoas chamam de ''Yoga'', sobretudo a partir dos tratados de Patanjali: se começou a falar de Yoga como apenas uma prática física e respiratória como ''caminho espiritual'' sendo que isso sempre foi apenas uma parte e pouco importante de Correntes Tântricas antiquíssimas do Noroeste da Índia. Lembramos ao leitor que tudo o que hoje em dia se pretende ''tradição mística viva'' apelando para fontes gregas, egípicias, druidas ou célticas (como aWicca) é ABSOLUTAMENTE FALSO, EMBROMAÇÃO, INVENÇÃO E FANTASIA porque se tratam de coisas mortas e enterradas, secas e desaparecidas sem que houvesse nunca nenhum fio condutor que trouxesse algo disso intacto até os dias de hoje...



Os druidas foram aniquilados por Júlio César... , ainda que já não houvessem mais druidas, César mandou aniquilar tudo o que se parecesse ou se movesse por onde andaram os druidas: de modo que mais garantida não poderia estar a morte e extinção completa desta tradição da qual nada se conservou até osdias de hoje que mereça algum crédito.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Heyokah

Vamos recapitular: se um ser humano começa a aplicar os princípios da arte da espreita tolteca, ele ou ela se torna uma caçadora ou um caçador, pois faz o rastreamento daquilo que caça. Nesse sentido, tudo é caça, e tudo pode ser espreitado. Mas aí ainda se aplicam os princípios a seres e coisas, por exemplo, um animal, uma pessoa que se quer cooptar, uma namorada, um cliente, um ganho etc.

Quando o ser humano aplica os princípios da espreita a si mesmo, e começa a se rastrear, as suas fraquezas, os seus hábitos, etc, ele não tem mais um objetivo concreto, então ele está pronto para caçar o ''poder pessoal''. O homem e a mulher que caçam o ''poder pessoal'' são um guerreiro e uma guerreira.

Uma forma exuberante e supereficaz de espreitar o próprio ego (que é a mais difícil e importante das tarefas do rastreamento de energia) está na figura do Heyokah, como é chamado nas tribos das planícies americanas, e que os Hopis e Pueblos chamam de Koshari.

O Heyokah é um palhaço que, diferentemente dos outros, possui grande sabedoria e leva seus ensinamentos ao Povo através do riso e dos paradoxos, colocando-se a si mesmo em situações embaraçosas e por vezes ridículas. Este Trickster Sagrado é antes de tudo um supremo ator que faz com que você pense por você mesmo e chegue às suas próprias conclusões, levando-o a questionar se aquilo que os outros dizem ou fazem é verdadeiramente correto. No momento em que as pessoas são levadas a pensar por conta própria, começam a colocar à prova as suas próprias convicções; aquelas crenças psico-sociais vacilantes, que pertencem ao passado e se apoiam em muletas, passam a ser testadas e questionadas.

A fama do Heyokah consiste justamente em transmitir suas lições fazendo com que os outros não se levem assim tão a sério. O riso passa a constituir a lição definitiva, pois consegue romper os bloqueios que estão minando o equilíbrio das pessoas. O Heyokah consegue ser bem-sucedido quando tudo é encarado com humor, e os laços com os velhos hábitos, que já não servem mais para nada, são rompidos. O Guia de Cura que acompanha o Heyokah é o Coiote. O Heyokah é um grande conhecedor da Magia do Coiote, e sabe utilizar o lado brincalhão da natureza deste animal para conduzir os outros a um estado mais iluminado de consciência. Ocasionalmente, o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro, e a Energia do Coiote pode vir a atingir o Heyokah em algum ponto fraco. Quando isto acontece, um verdadeiro Heyokah aceita o revés com humor, e acha graça na virada da situação, terminando por aprender a sua própria lição, juntamente com a lição que foi dada aos outros.

O Povo Nativo reconhecia a importância de saber levar a vida de modo um pouco menos sério e aprender a rir de si mesmo. Em outros tempos não se considerava que o fato de ser alvo das brincadeiras do Heyokah deixava a pessoa "de cara no chão".




"Es mi obligación enseñarte a ver. No porque yo personalmente quiera hacerlo, sino porque fuiste escogido; tú me fuiste señalado por Mescalito. Sin embargo, mi deseo personal me fuerza a enseñarte a sentir y actuar como guerrero. Yo personalmente creo que ser guerrero es más adecuado que cualquier otra cosa. Por tanto, he procurado enseñarte esas fuerzas como un brujo las percibe porque sólo bajo su impacto aterrador puede uno convertirse en guerrero. Ver sin ser antes un guerrero te debilitaría; te daría una mansedumbre falsa, un deseo de hundirte en el olvido; tu cuerpo se echaría a perder porque te harías indiferente. Mi obligación personal es hacerte guerrero para que no te desmorones.
"Te he oído decir una y otra vez que siempre estás dispuesto a morir. No considero necesario ese sentimiento. Me parece una entrega inútil. Un guerrero sólo debe estar preparado para la batalla. También te he oído decir que tus padres dañaron tu espíritu. Yo creo que el espíritu del hombre es algo que se daña muy fácilmente, aunque no con las mismas acciones que tú llamas dañinas. Creo que tus padres sí te dañaron, haciéndote indulgente más de la cuenta.
"El espíritu de un guerrero no está engranado para la entrega y la queja, ni está engranado para ganar o perder. El espíritu de un guerrero sólo está engranado para la lucha, y cada lucha es la última batalla del guerrero sobre la tierra. De allí que el resultado le importa muy poco. En su última batalla sobre la tierra, el guerrero deja fluir su espíritu libre y claro. Y mientras libra su batalla, sabiendo que su voluntad es impecable, el guerrero ríe y ríe."

C.CASTAÑEDA





Na verdade, era até considerado uma honra ser escolhido como alvo de uma brincadeira que transmitisse uma valiosa lição espiritual. Cada membro da Tribo era parte essencial do Todo; por isto muitas vezes a brincadeira passava ensinamentos para outros indivíduos daquele mesmo grupo. Todos aqueles que haviam participado da brincadeira, ou que falavam dela, poderiam, mais tarde, relacionar aquela lição às suas próprias situações pessoais e crescer através deste processo.

O heyokah zomba, debocha, ilude, confunde, faz tudo ao contrário, se comporta como um louco, um idiota ou um supremo debochado, desmanchando todas as ilusões de certeza do dia-a-dia e dos costumes. É mestre em fazer o ponto de encaixe da percepção se deslocar de uma maneira quase imperceptível, mas profunda, e modificar o sentido de todas as situações com seu humor. É mestre em mostrar que todas as certezas não passam de ilusão, e que o inesperado é o próprio recheio do bombom de todos os instantes.

Há duas faces para a eficácia da tática heyoka, e do humor em geral, principalmente no campo da sociedade contemporânea, que barateia o humor e infantiliza as pessoas. O comportamento inusual e humorístico move sim suavemente o ponto de encaixe da percepção, mas, por outro lado, a pessoa pensa que aquilo é só bobagem, e tributa o movimento a um certo desconforto com essa tolice. E estamos na época da vigência da tolice e da besteira, que caem como uma gota no oceano da mídia e dos comportamentos grosseiros usuais.

Caçar o poder pessoal, rastrear a própria energia, espreitar as relações de força e de poder, lutar para ver a energia diretamente, são o campo de caça do guerreiro, que o faz em qualquer situação contingente, em qualquer época, lugar, estado etc. Aí ele está aplicando os princípios da ''espreita'' e da ''loucura controlada'', pois não se identifica mais consigo mesmo (seu ego, alheio a sua força) ou com objetivos mundanos (determinados arbitrariamente pela socialização).

A consequência aí é que o homem e a mulher podem começar a intuir a realidade de uma forma direta, e "ver", quer dizer, perceber, a força por trás de tudo, a energia que emana de todas as coisas e que as liga numa rede cósmica.

Esse é o vidente.

Se o vidente utiliza sua capacidade de caçador, de guerreiro, de espreitador e de vidente para a busca do outro lado da moeda do ser, o desconhecido, o "espiritual", o espírito, o nagual, o intento, então ele e ela estão lutando para ser um homem e uma mulher de conhecimento.

Ao começar a manejar o intento, ao aprender a se ligar na rede que vê e se faz uma com ele e com ela, ele e ela então se tornam homem e mulher de conhecimento, que sabem usar o intento.

O primeiro passo de todas as técnicas é adotar a morte como conselheira. Tal feito é o não-fazer do homem social que nós somos, que pensa que está externamente nos seus dilemas menores, quando, na verdade, assiste e participa de um momento único de força e beleza do mundo.

- É burrice sua escarnecer dos mistérios do mundo, simplesmente porque conhece o ''fazer'' do escárnio - disse ele, com uma cara séria.

Falei que não estava escarnecendo de nada ou ninguém, mas que era mais nervoso e incompetente do que ele pensava.

- Sempre fui assim - disse eu. - E, no entanto, quero modificar-me e não sei como. Sou muito inadequado.

- Já sei que você acha que não presta - disse ele. - Isso é seu fazer. Agora, para afetar esse fazer vou recomendar que você aprenda outro fazer. De hoje em diante, e por um período de oito dias, quero que você minta para si mesmo. Em vez de se dizer a verdade, que você é podre, feio e inadequado, você se dirá que é o oposto, sabendo que está mentindo e que é completamente sem esperança.

- Mas qual a finalidade de mentir assim, Dom Juan?

- Pode prendê-lo a outro fazer e então você pode compreender que ambos os fazeres são mentiras, irreais, e que prender-se a qualquer deles é uma perda de tempo, pois a única coisa que é real é o ser em você, que vai morrer. Chegar a esse ser é o não fazer do eu.

Antes de falar sobre o não fazer, vamos comentar um pouco mais a respeito do ponto de encaixe da percepção.

O conhecido são as emanações dentro do campo de consciencia que o ponto de encaixe está focando, que ilumina e ressalta, fazendo com que nossa autoconsciência se faça dessas fibras.

O desconhecido são as emanações da Águia que estão no nosso campo de consciencia, ou não, e que não focalizamos com nosso ponto de encaixe. A posição pré-estabelecida pela sociedade é chamada tonal dos tempos, todos são "normais".

A posição do ponto de encaixe que nos foi ensinada e à qual estamos acostumados é o nosso tonal pessoal. A primeira atenção.

A segunda atenção é deslocar o ponto de encaixe para essas posições do desconhecido, por algum tempo. Fazemos isso toda noite, no sonho. Os homens de conhecimento desenvolvem a capacidade de provocar esses deslocamentos á vontade, de forma espontânea e genuína, aprendem a utilizá-los e sabem ir e voltar com toda segurança e sem nenhum prejuízo mental ou físico. Pelo contrário, geralmente voltam fortalecidos de suas aventuras. Sobretudo fisicamente.

Deslocar o ponto além das emanações da Águia é o incognoscível.

A terceira atenção é o deslocamento para dentro da Águia.

As atenções também não são algo dado, não são um lugar ou lugares.

As atenções são sintonizações do ser, no caso, o ser humano, qualquer ser humano, sabe que consegue sintonizar de duas formas, a normal e a alterada: duas atenções. A terceira, a quarta e a quinta atenções são também realizações sofisticadas do ser humano. Estas implicam na manutenção da consciência e sua expansão além dos limites espácio-temporais humanoides.

Numa comparação porca: é como um rádio que pega AM ou FM; mas um rádio que pudesse se reprogramar, se refabricar, para atingir outras faixas eletromagnéticas.

Inclusive, pode-se pensar numa sexta atenção e ainda mais.

O mestre do não-fazer e da espreita, o palhaço, o temível e ao mesmo tempo histriônico Don Genaro, pode ter feito a maior revelação de todas (ou a segunda maior, depois daquela em que Don Juan diz a Carlos que ele está cercado pela eternidade e que pode usar essa eternidade se quiser).

Foi quando Don Juan apresentou Carlos a Genaro (antes o tinha visto rapidamente na praça, mas não conversaram), na sua casa no México central. Genaro debocha de Carlos, de ele tomar notas, senta-se sobre a cabeça, infla as narinas, fazendo a caricatura de nosso herói. Depois ridiculariza Don Juan, imitando seus trejeitos de se alongar e estalar as costas (quando ele então estaria fazendo passes mágicos), e o nagual volta bem a tempo de ver sua paródia e ri.

No outro dia, ele "ensina" a Carlos, explicação que será desmoralizada por Don Juan no momento seguinte, o qual dirá "Falar não é a predileção de Genaro". Claro, tudo isso é espreita nagualista.

- É verdade, você sabe disso Juan.

Depois afirmou que um mestre autentico podia levar seu discípulo com ele e chegar a atravessar as dez camadas do outro mundo. O mestre, desde que fosse uma águia, podia começar da camada mais inferior e depois passar por cada mundo sucessivo até chegar ao topo.

O que Don Genero estava realmente revelando? Dez atenções, através das quais o mestre pode levar seu aprendiz!

O não fazer é a suave e imperceptível prática de realizar atos incomuns, agir conforme não se espera de si mesmo, surpreender e chocar a si mesmo como tática para despertar a atenção, cultivar e cativar outras formas de estar, posições e atitudes, como uma espreita de si mesmo.

A busca de recompensas é o que mais energia nos faz perder. Você só deve fazer aquilo que o intento indica. A importância pessoal é implacável, ela nos rastreia e caça ao longo da vida, pois ela se alimenta de nossa energia psíquica. O nosso ego não é nosso. Mais precisamente: ele é um bicho, um inorgânico. Voltaremos a este ponto mais adiante. Para encontrar a liberdade total, a pessoa deve renunciar inclusive ao desejo de ser livre, à escravidão de qualquer desejo. Não se trata de buscar a liberdade por medo de morrer. A importância pessoal adora as recompensas porque ela coroa nosso desperdício de energia com a autoreflexão, nossa amante e homicida. E assim trunca o livre fluxo da energia através da pessoa. O que sempre acaba produzindo alguma doença letal com o tempo. Como o câncer.

Não vás demasiado depressa. Há que aperfeiçoar o tonal, antes de se aventurar no nagual.

Essa prática produz um suave e duradouro movimento do ponto de encaixe, e serve como forma de torná-lo mais "flexível", mais "movível".

Voltando a algo que falamos a muitas páginas e há muitos momentos atrás, o feiticeiro abandona por completo a posição de refém entre a cruz e a espada da mentira e da verdade. Isso é o não-fazer do ser e estar.

- Tudo isso é verdade, Dom Juan?

- Dizer que sim ou que não seria fazer. Mas como você está aprendendo a não fazer, devo dizer-lhe que realmente não tem importância se tudo isso é verdade ou não. É aqui que o guerreiro leva vantagem sobre o homem comum. O homem comum se importa em saber se as coisas são verdadeiras ou falsas, mas um guerreiro não. Um homem comum procede de maneira específica com as coisas que ele sabe serem verdade e de maneira diversa com o que sabe não ser verdade. Se se supõe que as coisas são verdadeiras, ele age e acredita no que faz. Mas, se as coisas são supostamente falsas, ele não quer agir, ou não crê no que faz. Um guerreiro, ao contrário, age em ambos os casos. Se se supõe que as coisas são verdadeiras, ele age a fim de estar fazendo. Se se supõe que as coisas são falsas, ele ainda assim age, a fim de não fazer. Entende o que digo?

- Não. Não estou entendendo nada - respondi.

Todas as técnicas estão relacionadas, como uma figura geométrica, todos os pontos se ligam de todas as formas, como num círculo ou esfera.

Combinando as técnicas sugeridas por Carlos e por Taisha para obter o silêncio interno e mover o ponto de encaixe da percepção, temos:


Arte Marcial

Recapitulação

Não-fazeres

Pequenos tiranos

Contemplação

Silêncio interior

Impecabilidade

Ensonho

Espreita

Centro de decisões



O centro de decisões pode ser o que exige mais energia no final das contas, pois signfica se livrar do ritmo da energia inorgânica e estabelecer a nossa própria vontade, vontade de potência, como diria Nietzsche, que é o portal de acesso ao intento.

Cada uma se liga com todas as outras, se potencializam, são um circuito que é percorrido o tempo todo, sem parar, de forma cada vez mais potente, no aprendizado. Tudo leva ao silêncio interior, que leva ao movimento do ponto de encaixe da percepção.

"Tudo o que chega a nossos sentidos é um sinal. Só é necessário ter a velocidade para silenciar a mente e captar a mensagem. Por meio dessas indicações, o espírito fala conosco com uma voz muito clara".

"Os bruxos da velha guarda eram propensos ao misticismo; eles usavam a astrologia, oráculos e conjuros, varas e amuletos mágicos, qualquer coisa que enganasse a vigilância da razão virava um ''objeto de poder''.

"Mas, para os novos videntes, esses recursos são um desperdício e ocultam um perigo: podem desviar a atenção da pessoa que, em vez de se focalizar em seu vínculo imediato com o espírito, termina por se acostumar ao símbolo. Os guerreiros atuais preferem métodos menos ostentosos. Don Juan recomendava diretamente o silêncio interior. /.../

"O silêncio é a passagem entre os mundos. Ao calar nossa mente, emergem aspectos incríveis de nosso ser. A partir desse momento, a pessoa se torna um veículo do intento e todos os seus atos começam a exsudar poder.

"Durante minha aprendizagem, meu benfeitor me mostrou prodígios de percepção inexplicáveis que me espantavam, mas, ao mesmo tempo, despertavam minha ambição. Eu também queria ser poderoso como ele! Frequentemente lhe perguntava como eu poderia aprender seus truques, mas ele colocava um dedo sobre seus lábios e ficava me vendo. Foi apenas muitos anos mais tarde que eu pude apreciar completamente a magnífica lição de sua resposta. A chave dos bruxos é o silêncio".




Os não fazeres têm como escopo principal o intento, assim como todas as técnicas. O objetivo se escalona em várias metas, na ordem: silêncio interno total, mover o ponto de encaixe da percepção, perder a auto-importancia, apagar a história pessoal , encontrar o aliado, dominar o intento.