sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Transmutação do visível em símbolo

 
Compreensão simbólica: transmutação do visível em símbolo: resulta difícil compreender as palavras de Corbin se não somos capazes de discernir claramente o que é um símbolo. Para uma cultura secularizada como a nossa, na qual a APROXIMAÇÃO AO MISTÉRIO - para usar uma feliz terminologia de Eugênio Trias - caiu no esquecimento, o conceito ''SÍMBOLO'' dificilmente preservará seu genuíno caráter transcendente, em função da qual a imagem simbólica significa propriamente uma passagem entre os mundos; a erupção, no mundo do dia a dia, de uma MISTERIOFANIA


  • O islamólogo francês, plenamente consciente destas dificuldades, procura preservar desde o princípio esta especificidade do símbolo:


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    Devemos voltar aqui á distinção, que consideramos fundamental, entre alegoria e símbolo: a primeira é uma operação racional que não envolve o passo á outro plano do ser nem á outro estado de consciência; é a figuração, em um mesmo nível de consciência, do que poderia perfeitamente ser conhecido de outra forma. O símbolo propõe um plano de consciência que não é o da evidência racional; é a ''cifra-código'' de um MISTÉRIO, o único meio de se expressar algo que não pode ser apreendido de outra forma; nunca é ''explicado'' de uma vez por todas, porque deve ser continuamente decifrado, o mesmo que sucede á uma partitura musical, que nunca é decifrada para sempre, mas que sugere uma execução sempre nova.
     


     

    sábado, 11 de agosto de 2012

    Um mecanismo de Revelação contínua

     

    Parampara representa um princípio multiplicador de sabedoria, e um mecanismo de revelação contínua. Como reza a tradição, a grande tarefa do Buda é colocar a roda em movimento. Então, os seus seguidores a mantém girando e a conduzem para onde for necessário. De fato, a tarefa das gerações de discípulos, não é apenas preservar incólume a forma da doutrina, mas adaptá-la ao espírito das épocas e ainda revelar novas facetas. Para isto, é preciso sempre ter em vista fielmente os seus propósitos gerais. Se diz que cada bom discípulo deve fazer a sua própria síntese, e até mesmo negar em certa altura (quiçá formalmente) aquilo que foi de início apresentado, visando fazer o contraponto ou buscar a antítese do processo dialético que precede a necessária síntese. Isto faz parte da tarefa de preservar a essência do dharma, ou de “manter a roda em movimento”. A escada dos anjos do sonho de Jacó, é o rosário dos mestres que, em cada geração, alguns são convidados a integrar.

    Ainda assim, os próprios Mestres originais geram, como é natural, um corpo volumoso de ensinamentos. E a razão desta fecundidade, se deve à dupla chave erudição-inspiração que eles próprios buscam, inserindo-se assim ao seu modo na Tradição e servindo-lhe como referência original, mediante o resgate e a reforma do saber.

    Todo o grande mestre fornece uma fabulosa chave-de-conhecimento, seja escrevendo ou discorrendo. Como sugere a lenda de Hermes e Votan, aqueles que afirmam que os avatares nunca escreveram, demonstram não conhecer os fatos. Aqueles avatares mais conhecidos historicamente, pertenceriam quiçá a uma época algo ágrafa da história, quando se colocava em alta monta a tradição oral –o que vem de resto a ser uma das premissas da iniciação. De Odin se diz ter registrado as runas enquanto estava crucificado, e é bem possível que o exemplo se repita.